O livro percorre várias fases da sua trajetória: a infância, na Vila
Gustavo, bairro da zona norte da capital paulista, quando ela coloria
sem parar caderninhos; o primeiro contato com outros grafiteiros, entre
eles Otávio Pandolfo, um dos artistas da dupla agora mundialmente
prestigiada Os Gêmeos e marido de Nina desde 2001; e as mostras
individuais que vem realizando no circuito de galerias do mundo,
exibindo obras que refletem cada vez mais sua maturidade artística.
O lançamento traz reproduções ligadas às memórias e iconografias
infantis, grafites mais elaborados - como o que realizou em conjunto com
Os Gêmeos e Nunca no Castelo Kelburn, em Glasgow, na Escócia, em 2007- e
as peças de prestígio produzidas em seu ateliê, na Aclimação, como
desenhos, pinturas e esculturas, com a utilização de técnicas mais
apuradas. Há, também, fotografias que mostram os traços e a
personalidade do trabalho de Nina no exterior, nas ruas ou galerias, em
países como Alemanha, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia,
Índia, Inglaterra, Japão, Porto Rico e Suécia. "O interessante de
percorrer o mundo trabalhando é a possibilidade que se tem de notar e
registrar o que é diferente de você, do seu habitat. O meu portfólio é a
rua", afirma ela, lembrando da época em que andava pela cidade à
procura de um muro para criar suas intervenções.
Nina fez seu début em exposições no exterior em 2002, participando com
pinturas na coletiva I Don't Know, da galeria Die Farberie, em Munique,
Alemanha. Ela e outros grafiteiros foram convidados para pintar diversos
muros e fachadas no país, além de França e Grécia. "Havia muita
informalidade nesses projetos. A gente fazia um grafite, depois vinha um
convite para trabalharmos em outra cidade, e de lá partíamos para outro
lugar", afirma a artista, que passou cerca de seis meses fazendo essas
intervenções.
Foi na Alemanha de Wim Wenders, em 2006, que Nina estava fazendo um
grafite para um projeto na cidade de Wuppertal, em um túnel da cidade,
quando foi surpreendida pelo cineasta que filmava no local. "Estávamos
trabalhando nas paredes à luz de luminárias, escondidos, quando ele
aparece e brinca com a gente: 'Finalmente, encontrei vocês'", relembra.
Imagens desses trabalhos fazem parte do livro, que traz ainda textos dos
renomados curadores Steves Lazarides e Marsea Goldberg, e do
jornalista, crítico e curador independente Mario Gioia, autor de uma
síntese da carreira da artista plástica. "Ao vermos as primeiras
pinturas murais, percebemos que o estilo de Nina é muito ligado ao
ideário infantil", escreve Gioia, em uma das passagens do texto que abre
o livro. "Lagartas e animais dos mais variados, meninas de olhos
avantajados, mas de traços simples, mais semelhantes às figuras dos
mangás japoneses, trenzinhos com letras animadas, todos elementos com
cores chamativas são pintados, apesar da fase inicial estar longe da
elaboração visual feita atualmente pela artista."
Nina, que acompanhou de perto o projeto editorial, cuidando de cada
detalhe, presenteia o leitor com um relato poético sobre sua trajetória e
processo criativo.